O QUE CANTAR NA MISSA?

O que cantar na missa de hoje?

A igreja católica tem muitas músicas e com certeza todo cantor já teve esta dúvida: “o que cantar na missa de hoje?

Para melhor entender o que são os ritos e não cometer erros e cantar a riquíssima liturgia da Igreja Católica, vamos ler este documento muito bem elaborado, no qual os créditos serão postados logo abaixo.

Antes de nos aprofundarmos no assunto, vale lembrar que se você estiver só procurando cantos para missa, clique aqui e vai encontrar sugestão de REPERTÓRIO COMPLETO com letra cifrada e opção de mudar a tonalidade, mas se quiser saber mais sobre o que cantar na missa, continue que este texto pode te ajudar.

Evitem-se os ritmos desproporcionais à assembleia celebrante. Em nossa música e comportamento corporal, tentemos realizar uma celebração plena, ativa e consciente por parte de todos. Cantos com teor intimista e particular ferem diretamente o espírito da liturgia, afinal, trata-se de uma celebração entre irmãos, na qual ninguém possui maior privilégio senão Aquele a quem celebramos: o Cristo vivo e presente!

Assim, passemos às indicações gerais acerca do que é apropriado cantar em cada momento da liturgia:

Canto de abertura: É papel do canto de abertura introduzir a comunidade celebrante no mistério celebrado, tornando-se o elo entre a vida cotidiana e seu rompimento na celebração eucarística, fonte e ápice da vida cristã. Por isso seu caráter vibrante e, preferencialmente, de fácil recitação por parte de todos. Vale destacar que na liturgia o principal enfoque deve ser dado à letra e não à melodia do canto. Privilegiem-se as letras extraídas dos textos bíblicos, dando prioridade ao aspecto comunitário da celebração.

Ato Penitencial (Kyrie): Quando cantado, o ato penitencial se subdivide em dois momentos, a saber: o próprio momento do ato penitencial, constituído de invocações e súplicas, e a aclamação pós-penitencial, ou seja, o “Senhor, tende piedade de nós!” (Kyrie eleison). Jamais se substitua o canto do ato penitencial por outras músicas de conteúdo punitivo ou sentimentalista.

Glória: Seguindo-se antiguíssima tradição, dá-se prioridade à letra canônica do Glória, outra vez resgatada pelos compositores dos últimos tempos. Evitem-se, portanto, os chamados “glorinhas” que se resumem a louvações trinitárias simplificadas, ou mesmo os louvores que retratam toda a natureza e a vida, mas que em nada se referem à Santíssima Trindade. Trata-se de um canto ritual, ou seja, sua letra constitui o próprio rito celebrado e por isso deve ser executado de modo pleno e jamais pela metade. Priorize-se a letra oficial do glória, dando-lhe o destaque e a honra merecidos. Os instrumentos e as palmas jamais devem se sobrepor às vozes, que unidas em louvor e súplica confessam sua gratidão ao Pai, ao Filho, na unidade do Espírito Santo.

Salmo Responsorial: Em sua grande maioria, os salmos foram compostos para serem cantados. Por isso sua métrica regular e distribuição em versos e estrofes. São poemas de louvor, aclamação e súplica ao Deus da vida, que acompanha seu povo. Possuem um papel fundamental na Liturgia da Palavra, sendo Palavra de Deus aclamada pelo povo. Jamais se substitua o salmo responsorial por outro canto equivalente. Dê-se prioridade à letra do lecionário e, sempre que possível, que sua execução seja feita sob alternação entre salmista e comunidade celebrante. Com intuito de colaborar nesse propósito, no canal do YouTube Cindy Ferrarezi Cantando para Deus contêm os salmos de todos os domingos, festas e solenidades do ano litúrgico. Unidos em celebração, cantemos ao Senhor com salmos e louvores!

A imagem é para ilustrar os mais de 50 mil inscritos no canal do YouTube Cindy Ferrarezi Cantando para Deus

Aclamação: O canto de aclamação possui um papel de integrador entre o tema específico da celebração e sua vinculação ao evangelho do dia. Aqui dá-se prioridade ao canto do Aleluia, que em hebraico significa: Louvai a Deus! O Aleluia é omitido apenas no período da quaresma, para que sua ênfase seja retomada no período pascal. É um dos grandes símbolos do mistério pascal e, por isso, sempre adequado como canto de aclamação à Palavra de Deus revelada em Jesus. A comunidade, em pé, entoa o Aleluia e ouve a antífona proclamada pelo solista, respondendo-lhe com novo aleluia. Priorize-se, portanto, o Aleluia como canto de aclamação, reservando aos demais cantos temáticos em louvor à Bíblia o papel de canto alternativo, para quando houver a entrada solene da Palavra.

Ofertório: Para o canto que acompanha o momento da procissão dos dons do pão e do vinho, recomenda-se algo coerente com o andamento da celebração, ou seja, com sua temática específica ou com o tempo litúrgico vivenciado. Ademais, de modo particular nos domingos do tempo comum, são indicados para cantos de ofertório aqueles que expressem a letra do oferecimento dos dons, na qual a comunidade aclama, pelo pão, pelo vinho e pela vida: bendito seja Deus para sempre!

Santo: O canto do Santo corresponde a mais um momento ritual, sendo sua letra o próprio rito em questão. Conserve-se a letra oficial do Santo, advinda do texto bíblico (Is 6,3; Mt 21,9), dando-lhe liberdade de expressão nas variadas melodias. Evite-se, contudo, entoar o Santo com letras e melodias que desviem o seu propósito central: o louvor ao Pai por nos ter concedido celebrar tão precioso mistério de amor.

Amém: O amém à doxologia final, ou seja, ao Por Cristo, com Cristo e em Cristo… corresponde a mais um momento cantado da celebração, em especial nos domingos, festas e solenidades. Também é chamado de o grande amém, sendo a confissão de fé e o grande comprometimento de toda a assembleia celebrante a tudo o que foi realizado desde o início da liturgia eucarística.

Comunhão: O canto de comunhão, por sua natureza, tem o papel de proporcionar a unidade interna da celebração eucarística, tornando visível a íntima relação entre a mesa da palavra e a mesa da eucaristia, ambas constituintes de um único mistério celebrado. Daí a importância de que sua letra faça menção ao que foi o tema central da Liturgia da Palavra, de modo que a comunidade celebrante, enquanto caminha rumo à comunhão com o Corpo e o Sangue do Senhor, reflita Sua mensagem, tornando-a viva e eficaz sob o impulso do alimento espiritual. Não se trata de um momento subjetivo ou intimista, mas comum a todos os que juntos celebram ação de graças ao Deus da vida. Cabe, portanto, a toda a comunidade reunida entoar o canto de comunhão, sustentada pelo grupo dos instrumentistas e cantores. É assim que a comunhão com o Corpo e o Sangue de Cristo se estenderá na comunhão entre os irmãos reunidos em torno do altar. Evitem-se os cantos com letras sentimentalistas e particulares e destaque-se o caráter comum da celebração. Canto Final:

Concluída a celebração, o canto final atua como um poslúdio, ou seja, como o elo entre a sacralidade da celebração e a realidade cotidiana da comunidade. Também possui forte caráter de motivação rumo à missão que na missa recebemos. Para esse momento há maior liberdade na escolha do canto, que pode ser substituído por uma peça instrumental ou um solo do coral. Todavia, que jamais se esqueça o costume da comunidade local, como, por exemplo, as devoções a Nossa Senhora ou ao santo padroeiro, o que cantar na missa, não pode ser uma escolha aleatória, precisa antes de tudo ser um ato de amor a liturgia.

 

Conhecendo melhor a estrutura da liturgia que celebramos, de igual modo maiores se tornam nossas condições de celebrar de modo ativo e convicto. Desse modo, conclui nossa abordagem com os seguintes votos: que o louvor de Deus seja o nosso maior propósito; que o canto na liturgia colabore em nossa união com Deus, a fonte e o ápice de nosso cantar; e que todos nós, cantores, instrumentistas e animadores litúrgicos, cantando com os lábios o que experimentamos em nosso coração, colaboremos na construção de um Reino de unidade e amor.

 

Texto base de José Reinaldo F. Martins Filho

Equipe Arquidiocesana do Canto Litúrgico